Poesia de Agostinho Neto na história de um Palestino
Quando tinha
16 anos de idade, estava preso numa cela israelita. Lembro-me de um homem mais velho palestino que estava sentado a ler um livro no canto de uma cela. Tinha volta de 60 anos e vivia na mesma prisão que eu.
Um dia esse velho deu-me um livro e disse-me que podia encontrar nele versos maravilhosos. O velho disse-me:
“- Presta bem atenção aos poemas de Agostinho Neto”.
Recebi o livro e comecei a ler os poemas.
Eram maravilhosos poemas, de uma grande humanidade.
Apartir daí passei a conhecer muitos poetas de África, da Ásia e da America Latina. Mas um dos melhores que conheci foi, sem dúvida, Agostinho Neto.
Depois da leitura, vi que tinha descoberto realmente em Agostinho Neto um bom coração num grande homem. Fiquei a conhecer o carácter de Agostinho Neto não apenas como poeta mas também como um grande combatente de Angola, de África e do Mundo e a conhecer melhor os laços profundos de amizade existente entre Angola e a Palestina.
Isto foi em 1978 e de lá para cá muito tempo passou. Apesar disso alguns dos poemas de Agostinho Neto ainda estão gravados na minha mente. Depois de ter sido libertado da prisão e ter casado, mostrei os versos à minha mulher e mais tarde aos meus filhos.
Há uma semana a minha filha mais velha chamou-me e perguntou:
“- Ainda te lembras dos versos de Agostinho Neto? ”
Eu disse:
“- Respondo à tua pergunta dando um exemplo. Antes de o nosso embaixador partir de Angola, no final da sua missão, ele reuniu o pessoal da embaixada e informou que iria deixar Angola para sempre porque se reformara. Nessa altura, eu olhei para a cara dos angolanos e vi que em todos caíam lágrimas dos olhos, estavam todos a chorar. Nessas lágrimas, acredita, eu vi toda a bondade do Povo Angolano.”
Dr. Jubrael Shomali
Encarregado de Negócios da Embaixada da Palestina em Angola
In Jornal de Angola, 18 de Março de 2012



