Malange recebe a Estética da Poesia de Agostinho Neto em livro
A província de Malange entra novamente nos anais históricos do Fundador da Nação ao testemunhar, no dia 20 de Março de 2012, o lançamento do livro da autoria do catedrático brasileiro Nelson Cerqueira, “A Recepção da Estética da Poesia de Agostinho Neto”.

A cerimónia de apresentação da obra teve lugar no auditório da emissora provincial da Rádio Nacional de Angola e foi prestigiada com a presença do governador Boaventura Cardoso e de altas entidades do corpo administrativo central de Malange.

A apresentação do livro, fruto de um trabalho investigativo desenvolvido nos EUA pelo Prof. Nelson Cerqueira, enquadra-se na senda das actividades desenvolvidas pela Fundação Dr. António Agostinho Neto visando saudar os 90 anos natalícios do seu patrono, a assinalar-se no próximo mês de Setembro.
O livro “A Recepção da Estética da Poesia de Agostinho Neto” enaltece a poesia do Poeta Maior, dedicando particular atenção ao seu conteúdo lírico. Segundo o Prof. Nelson Cerqueira, essa vertente da poética de Neto é muitas vezes diluída na mensagem de combate e de vanguarda. É preciso encontrar a bela estética na escolha das palavras, na cadência dos versos, nas imagens invocadas, nas metáforas construídas pelo poeta.
A faceta mobilizadora da poesia mereceu destaque por parte da presidente da Fundação, Maria Eugénia Neto, no decurso do seu discurso durante a cerimónia de lançamento da obra, ao recitar algumas estrófes de um dos poemas de Agostinho Neto em alusão ao homem negro:
“…Contudo/ já foi senhor / Foi sábio antes das leis de Kepler / foi destemido / antes dos motores de explosão...”

Eugénia Neto considerou ainda que a poesia do Poeta Maior é apelativa à acção, à redescoberta do passado, à descoberta do futuro que é preciso construir, pedra após pedra.

Após a apresentação do livro no dia 8 de Março no Brasil, no estado de São Salvador da Bahia, a Fundação fez questão de lançá-lo em Angola, contando com a presença do autor e de sua esposa, numa província de rica história e recursos naturais, tal como sublinhou Maria Eugénia Neto.
“De facto”, evocou Eugénia Neto, “desde o Rei N´gola Kiluanje, do Reino do N´dongo e Matamba e sua filha herdeira Nzinga Mbandi, a primeira Rainha de Angola, baptizada Ana de Sousa, à palanca negra, às pedras negras de Pungo Andongo, às magníficas quedas de Kalandula, ao período em que o nosso Patrono esteve aqui sediado a trabalhar nos serviços de saúde, mergulhamos em cheio na história desta expressiva parcela do território nacional”.
Agostinho Neto, no meio de enormes adversidades, é revelado como tendo sido um homem de muita tenacidade e sacrifício, saindo vencedor na luta a que se propôs, vitória essa que o mesmo legou para sempre ao seu povo.



