FAAN destaca Dança como Factor de Expressão Cultural

A Fundação António Agostinho Neto faz de âncora o acima exposto para destacar uma das mais nobres manifestações da raça humana, a Dança. Afinal, o mundo assinalou a 29 de Abril, o Dia Internacional da Dança, instituído pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, UNESCO, em 1982.
Em Angola, principalmente na sua capital, a efeméride é bem conhecida. E, semanas antes, é assinalada com uma série de actividades onde os mídia destacam nos seus programas, temas a gravitarem em torno da Dança. Por exemplo, a Companhia de Dança Contemporânea, em parceria com a galeria Celamar, realizou uma Tertúlia sobre a Dança. Factos que espelham, cada vez mais, o interesse da sociedade em dar maior importância à dança enquanto factor de identidade cultural e não só.
Angola é um país com um mosaico étnico-cultural muito diverso, mas ainda assim, a dança é um fenómeno antropológico transversal a todos os povos, variando apenas os estilos e os ritmos de sons. Assim o é para os povos que estão estabelecidos nas grandes extensões territoriais do país como os Ovimbundu, Ambundu, Bakongo, Côkwe, Nyaneka-Humb, Ovambo e Herero.
Nestes círculos étnico-geográficos, a dança pode ser caracterizada como a mistura de movimentos tradicionais, sons e ritmos com realce à naturalidade dos corpos no passo certo ao som da música, ao que conveio aos especialistas chamarem de dança em linha. A Dança do Tchinganje, uma dança cokwe, demonstra os rituais dos povos de Angola. O estilo de dança Sungura é típico dos povos da região Sul de Angola. Na capital angolana, Luanda, são notáveis estilos que também acabam por pintar o mosaico de danças folclóricas e outros com tendências mais urbanizadas.
Por exemplo, nos bailes em Angola, segundo a Revista Carnaval, dançava-se ao som dos instrumentos como a dikanza, o ngoma, o apito, a ngaieta, e o acordéon.
Estes instrumentos davam “corpo” rítmico a danças como o semba, a rebita, a kazukuta, kabetula, rumbas e muitos outros tocados nos anos 50/70. Em Luanda, a boa dança era praticada nos bairros suburbanos, nas ruas e nos quintais. Tais estilos chamados outrora "dança dos operários" ou dos marginais, eram as dançadas pelos grandes farristas. Saudamos Mateus Pelé do Zangado e Joana Pernambuco, notáveis bailarinos angolanos da época, recentemente falecidos.
Nos anos 80 deu-se uma revolução nos estilos musicais e na dança. Muitos nomes surgiram e outras fusões aconteceram. A dança semba passou a ser chamada kizomba, que significa "festa", passando de expressão linguística à dança. Nos meados dos anos 90, surge o Kuduro. Veio a ser um dos fenómenos culturais de Angola mais expressivos dos últimos tempos. Já ultrapassou fronteiras. É mais popular do que qualquer outro estilo de dança. O Kuduro é uma dança recreativa de exibição individual ou em grupo. Fusão da música batida, com estilos tipicamente africanos, criados e misturados por jovens Angolanos, entusiastas e impulsionadores do estilo musical, adaptando-se à forma de dançar, soltando a anca para os lados em dois tempos, sutilmente, caracterizando o movimento do baloiço duplo.

“…aos ritmos e às fogueiras
à marimba e ao quissanje
ao nosso carnaval
havemos de voltar…”
Agostinho Neto



