História sobre o 27 de Maio de 1977 está a ser distorcida
História sobre o 27 de Maio de 1977 está a ser distorcida
A história de Angola está a ser distorcida e manipulada pelos que tentaram o golpe no dia 27 de Maio de 1977 com o fim de darem uma imagem diferente do que realmente se passou, refere uma declaração da Fundação António Agostinho Neto, à propósito de livros e artigos que têm sido publicados em Angola e Portugal sobre esta data.
Assinada pela presidente do seu conselho de administração, Irene Neto, a declaração da Fundação Agostinho Neto refere que os livros e artigos publicados apresentam uma visão muito subjectiva e manipulam a história, para darem uma imagem dos mentores e protagonistas da tentativa de golpe de Estado que não é a realidade.
“O que se vai publicando mais não faz do que contar uma mentira atrás de outra”, lê-se na declaração, onde se considera de paradoxal o facto de essas distorções e manipulações ocorrerem ante o silêncio de muitas testemunhas e participantes directos que ainda estão vivos e sabem que a verdade não está a ser contada.
Segundo a Fundação Agostinho Neto, a história do 27 de Maio de 1977 precisa ser contada com base em factos, documentos e depoimentos de todos os que nele participaram. Ou seja, “a história terá de ser narrada ouvindo todas as partes”.
“Os livros e artigos até agora publicados por dito(a)s historiadore(a)s apenas contam mentiras e versões do lado dos golpistas, sem nunca se preocuparem em ouvir o MPLA, o Governo e outros participantes, nem respeitarem as evidências históricas”, refere a declaração que defende a necessidade de se investigar com maior urgência a verdade sobre o 27 de Maio, uma vez que “não se tem publicado quase nada e a maior parte da informação está em posse de pessoas que podem morrer ou perder a memória deste evento”.
De acordo com o documento, quanto mais tarde ocorrer essa investigação maior será o risco de não se compilarem todas as informações e evidências históricas e de se confrontarem as versões de uns e de outros. Acrescenta que todos os participantes, directos e indirectos do 27 de Maio de 1977 têm o direito e o dever de escrever para legarem o seu testemunho à história, ao passo que o MPLA e o Governo devem mobilizar as pessoas e os meios necessários para a investigação dos acontecimentos ocorridos naquela data.
“Com este gesto, contribuiremos todos para contar a verdade histórica e reduzir-se-ão as possibilidades dos que querem mentir, falsear, distorcer meias verdades, exagerar o número de mortos e inverter papéis de quem se quer passar por vítima inocente”, defende ainda a Fundação Agostinho Neto.
A fundação reitera que continuará a investigação e a recolha de todas as evidências históricas com o fim de contribuir para a verdade sobre o 27 de Maio de 1977 e sobre a acção do fundador da Nação e primeiro Presidente de Angola, Agostinho Neto, assim como de seus companheiros.
In Jornal de Angola de 19.02.2008
