Jornada científica em Havana destaca figura de Agostinho Neto.
Encontro reúne em Havana personalidades da política e cultura dos dois paísesA figura de Agostinho Neto como medico, poeta e guerrilheiro foi abordada no dia 25 de Fevereiro na primeira jornada cientifica do encontro Cuba – Angola, que decorreu no Salão Baire, no Centro de Convenções de Havana.
O encontro foi orientado por Jorge Risquet, membro do comité Central do Partido Comunista de Cuba que conheceu e conviveu com António Agostinho Neto, indica uma nota de imprensa da Embaixada de Angola em Cuba.
O dirigente cubano começou a sua intervenção com a apresentação da obra poética do médico e guerrilheiro angolano,”Sagrada Esperança”, onde se encontram as ideias profundas e patriotas do médico e guerrilheiro que consagrou a maior parte da sua vida à luta de libertação de Angola.
O político cubano falou dos seus encontros com Agostinho Neto, enquanto estudante de medicina na Universidade portuguesa de Coimbra, do moçambicano Marcelino Marcelino dos Santos e do guineense Amílcar Cabral, também estudante de Economia em Portugal, graças as suas participações nos eventos organizados pela Federação Mundial da Juventude Democrática Mundial.
“ Ao longo dos encontros que mantive com Agostinho Neto, os temas predominantes sempre se referiam às luta de libertação no mundo e sobretudo em África, onde o colonialismo português maltratava as populações indígenas nas colónias”, disse, acrescentando que “Neto se mostrava muito preocupado com a situação do seu país, Angola, e das populações vítimas dos maus-tratos quotidianos”, disse Risquet.
Para o político cubano, A sua obra poética “Sagrada Esperança”, é um tribunal onde Neto expõe todos os sofrimentos do seu povo que, não obstante a crueldade do regime fascista português, guardava ainda esperanças para a sua libertação.
“ Depois dos nossos encontros na Europa, encontramo-nos em Brazzaville, capital da República do Congo, então dirigida pelo presidente progressista Alphonse Massemba Débat. E Neto já era presidente do MPLA. Aí colaboramos durante o tempo em que o movimento se instalou no Congo Brazzaville antes da sua entrada em Angola, onde continuei com a minha colaboração internacionalista durante três anos em nome de Cuba”, disse Jorge Risquet.
Associado ao evento, Rodolfo Puente Ferro, membro do Comité Central do Partido Comunista de Cuba, falou da contribuição dos médicos cubanos tombados em Angola e nos outro países africanos, como Congo –Brazzaville, Moçambique, Djibut, Argélia, Mali, Guiné Bissau, Guiné Conakry e Sudão, tendo destacado o espírito de sacrifício, solidariedade e respeito mútuo.
“ A contribuição dos médicos cubanos em Angola foi muito importante, porque eles não se ocupavam somente dos militares em combate, mas também das populações civis nos hospitais e centros médicos de saúde existentes no país”, disse o médico e político cubano.
Frisou que muitos deles estavam colocados nos hospitais sem condições materiais e medicamentosas para realizar um trabalho condigno, mas o espírito solidariedade e sentido humano obrigava-lhes a fazer algo para salvar os doentes”, declarou.
O embaixador de Angola em Cuba, António José Condesse de Carvalho “ToKa”, agradeceu os organizadores do encontro Cuba-Angola e pediu para que mantenham esse tipo de iniciativa.
O diplomata angolano destacou igualmente a figura do poeta, médico e guerrilheiro António Agostinho Neto.
