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ANTÓNIO DOMINGUES, pintor e gravador surrealista 1920-2004

Ao lado de Mário Cesariny e Cruzeiro Seixas, foi um dos fundadores do movimento surrealista português. Esse estatuto e a autoria do espólio, actualmente disperso por colecções acolhidas, entretanto, fora do seu país natal, ninguém lhe pode roubar. A vida sim. O ...pintor António Domingues faleceu aos 84 anos, em Lisboa.

Em 1942, frequentou as tertúlias artísticas do café Hermínios, na Avenida Almirante Reis, em Lisboa, e sobre isso deixou uma menção na primeira pessoa. "Neste pequeno café, minha actividade é, por um lado, o desenho, a novela e, por outro, (...) a criação de um característico jogo imagético que, tarde, haveríamos de classificar de actividade dadaísta." O registo completa-se.

O autor da série de desenhos "Lendas de Timor", o próprio, deixou uma autobiografia, publicada, em 1986, pelo jornal "Diário".

Foi estudante nocturno, negociante de ferro e maquetista numa litografia. E também foi, desde 1946, militante do Partido Comunista Português. Cruzou as telas com a política e participou, nomeadamente, na Bienal de Artes Plástice.

Entretanto, ladeado pelos companheiros de sempre - Leonel Rodrigues, Moniz Pereira, Marcelino Vespereira, Alexandre O'Neill, Mário Cesariny, Cruzeiro Seixas e outros - fundou o Grupo Surrealista de Lisboa.

Espanha e as extintas URSS e República Democrática Alemã receberam algumas das suas exposições. Angola mereceu maior dedicação, porque as suas raízes assim o ditaram. Neste momento, há telas dispersas pelo planeta. No entanto, o Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, regista um quadro da série "Cadavres Exquis" (Cadáveres Esquisitos).