Agostinho Neto recordado em Paris por ocasião do Dia de África

O presidente do Grupo Africano e delegado permanente do Senegal junto da UNESCO, Papa Momar Diop, recordou a figura do combatente pela liberdade que foi Agostinho Neto, na abertura da Gala que fechou com chave de ouro, no dia 28 de Maio, a Semana de África na UNESCO.
A audiência composta de diplomatas acreditados em França e junto da UNESCO, bem como altos funcionários da organização e público em geral, saudou efusivamente a presença na sala do espectáculo da escritora e presidente da Fundação Dr. António Agostinho Neto (FAAN), a escritora Maria Eugénia Neto, que assistiu à Gala, na sua passagem por Paris, vinda da Argélia, onde participou numa conferência internacional.
Depois da sessão de discursos, iniciada pela delegada do Gabão junto da UNESCO e presidente da Comissão Organizadora da Semana de África, Gisele Memiaghe, a soirée de Gala Africana na UNESCO levou ao palco da Sala I, uma plêiade de artistas e grupos culturais representativos das cinco sub-regiões do Continente, dentre os quais se distinguiu a actuação do cantor angolano radicado em Paris, Carlos do Nascimento. O cantor angolano abriu a sua actuação com a canção “Adeus à Hora da Largada”, poema de Agostinho Neto e terminou com um canto à sua terra, em jeito de semba.
Sob o lema “Panafricanismo: Aproximação de Culturas e Papel da Juventude”, a Semana de África na UNESCO celebrou o continente na sua riqueza e diversidade, visando reforçar a solidariedade entre os seus povos, promover a integração regional e a cooperação internacional. A celebração desta Semana de África foi lançada pela primeira vez em 2003 e tem a pretensão de dar uma visão das actividades levadas a cabo pela UNESCO e dirigidas à África nos seus domínios de competência para ajudar o continente a fazer face aos desafios do desenvolvimento. É igualmente uma ocasião no decurso da qual a UNESCO reafirma solenemente o seu engajamento a favor do reforço da sua cooperação com a África.
A semântica do Panafricanismo conduz-nos necessariamente às origens do espírito de emancipação e ao seu posterior desenvolvimento, 50 anos decorridos sobre as primeiras independências africanas, em direcção à União Africana. Neste ano, reafirmou-se o conceito do Renascimento Africano, através das imagens expostas, como indicadores de percurso, como institucionalização da memória, como testemunhas iconográficas, como marcos de referência do modo de comunicação de uma dada época.
No final do espectáculo, os convidados e personalidades directamente implicados na organização da Semana Africana dirigiram-se para os recintos onde os esperava a recepção com diversos pratos da gastronomia africana. Os diplomatas presentes saudaram Angola, pelo esforço de coordenação do Comité da Soirée de Gala e Recepção, tendo na ocasião elogiado o embaixador Diekumpuna Sita José e a sua equipa de trabalho pelo êxito conseguido.
Noureini Tidjani-Serpos, sub-Director Geral da UNESCO para o Departamento de África, foi quem inaugurou, na quinta-feira, a Semana Africana na UNESCO, ao abrir a exposição sobre “Panafricanismo: Aproximação de Culturas e Papel da Juventude”. Tidjani-Serpos destacou o anseio dos Chefes de Estado africanos por uma integração regional mais do que nunca afirmada. O ano de 2010, na óptica da UNESCO, oferece uma oportunidade à África de olhar o futuro com esperança e confiança.
“A Assembleia-Geral da ONU proclamou o ano 2010, como Ano Internacional da Aproximação das Culturas e também o Ano Internacional da Juventude sob o lema ‘diálogo e compreensão mútua’”, explicou o representante da UNESCO. Por essa razão, “a UNESCO não pode senão felicitar-se pelo tema da Semana de África em 2010: Panafricanismo: Aproximação de Culturas e Papel da Juventude, pelo que se orgulha de participar na sua realização”, acrescentou Tidjani-Serpos.
Na sequência deste discurso positivo, ouviram-se as palavras da embaixadora delegada do Gabão junto da UNESCO e presidente da comissão organizadora da Semana de África, Gisele Memiaghe, que agradeceu a colaboração dos Estados Membros da UNESCO chamados a integrar a Comissão, tendo referido, no conjunto, o nome de Angola que coordena o Comité da Soirée de Gala e Recepção.
A presidente da comissão organizadora da Semana Africana na UNESCO manifestou a esperança de que a África continue a ser uma das prioridades da UNESCO, tal como a actual directora-geral, Irina Bokova, deixou bem patente no seu discurso de tomada de posse.
A terminar a parte política da inauguração, tomou a palavra o presidente do Grupo Africano na UNESCO, Pape Momar Diop, delegado permanente do Senegal, que pôs em relevo a importância particular do ano 2010, por marcar os 50 anos das independências do Continente que marcha para o tão almejado território dos Estados Unidos da África, numa altura em que a UNESCO tem à sua frente, pela primeira vez na sua história, uma mulher. Momar Diop prestou homenagem a Tidjani-Serpos, que vai cessar, em breve, o seu mandato à frente do Departamento de África na UNESCO, como tendo sido o homem que soube inscrever o departamento que dirigiu na agenda da organização.
Seguiu-se então a parte cultural do evento, que começou com uma apresentação de dança de nove crianças do grupo Numidie, pertencentes à Rede de Apoio à Escolarização das crianças africanas na diáspora. Tidjani-Serpos e a comitiva que o acompanhava fizeram, a seguir, um périplo pelos diferentes stands e espaços onde cada país membro instalou a sua exposição.
O stand de Angola esteve representado pelo embaixador delegado junto da UNESCO, Diekumpuna Sita José que prestou aos visitantes oficiais os esclarecimentos necessários sobre a exposição do seu país. Ao participar neste evento, a Representação de Angola junto da UNESCO quis honrar o nome de Angola no seio do Grupo Africano junto da UNESCO, realizando uma exposição condigna que reflicta o espírito sugerido pelo tema.
A Semana de África foi igualmente marcada pela projecção de filmes, dos quais se destaca Katanga business (Negócios no Katanga) do realizador belga Thierry Michel, um ‘thriller’ político-económico que tem lugar a sudeste da República Democrática do Congo.
in Jornal de Angola
